quinta-feira, 17 de junho de 2010

A Menina da Lanterna

(Erika Kressler, recontado por Suse Konig)




Era uma vez uma menina que carregava alegremente a sua lanterna pelas ruas. De repente chegou o vento, que com grande ímpeto apagou a lanterna.

– Ah! - exclamou a menina - Quem poderá reacender a minha lanterna?

Olhou para todos os lados, mas não achou ninguém.

Apareceu, então, um animal muito estranho, com espinhos nas costas, de olhos vivos, que corria e se escondia muito ligeiro pelas pedras. Era um ouriço.

– Querido ouriço! - exclamou a menina - O vento apagou a minha luz. Será que você não sabe quem poderia acender minha lanterna?

E o ouriço disse a ela que não sabia, que perguntasse a outro, pois precisava ir para casa cuidar dos filhos.A menina continuou caminhando e encontrou-se com o urso, que caminhava lentamente. Ele tinha uma cabeça enorme e um corpo pesado e desajeitado, e grunhia e resmungava.

– Querido urso! - falou a menina - O vento apagou a minha luz. Será que você sabe quem poderia acender a minha lanterna?

E o urso da floresta disse a ela que não sabia, que perguntasse a outro, pois estava com sono e ia dormir e repousar.

Surgiu, então, uma raposa, que estava caçando na floresta e se esgueirava entre o capim. Espantada, a raposa levantou o seu focinho e, farejando, descobriu a ela e mandou que voltasse para casa, porque a menina espantava os ratinhos.

Com tristeza, a menina percebeu que ninguém queria ajudá-la. Sentou-se sobre a pedra e chorou.

Neste momento surgiram estrelas que lhe disseram para ir perguntar ao Sol, pois ele poderia ajudá-la. Depois de ouvir o conselho das estrelas, a menina criou coragem para continuar o seu caminho. Finalmente, chegou a uma casinha, dentro da qual avistou uma mulher muito velha, sentada, fiando em sua roca. A menina abriu a porta e cumprimentou a velha.

– Bom dia, querida vovó - disse ela.

– Bom dia - respondeu a velha.

A menina perguntou se ela conhecia o caminho até o Sol e se ela queria ir com ela, mas a velha disse que não podia acompanhá-la, porque ela fiava sem cessar a sua roca, não podia parar . Mas pediu à menina que descansasse um pouco, pois o caminho era muito longo. A menina entrou na casinha e sentou-se para descansar. Pouco depois, pegou a lanterna e continuou a sua caminhada.

Mais para frente encontrou outra casinha no seu caminho, a casa do sapateiro. Ele estava consertando muitos sapatos. A menina abriu a porta e cumprimentou-o. Perguntou, então, se ele conhecia o caminho do Sol e se queria ir com ela procurá-lo. Ele disse que não podia acompanhá-la, pois tinha muitos sapatos para consertar. Deixou que ela descansasse um pouco, pois sabia que seu caminho era longo. A menina entrou e sentou-se para descansar. Depois que descansou, pegou a sua lanterna e continuou a caminhada.

Bem longe, avistou uma montanha muito alta. Com certeza, o Sol mora lá em cima - pensou a menina e pôs-se a correr, rápida como uma corsa. No meio do caminho, encontrou uma criança que brincava com uma bola. Chamou-a para que fosse com ela até o Sol, mas a criança nem respondeu. Preferiu brincar com sua bola e afastou-se saltitando pelos campos. Então, a menina da lanterna continuou sozinha o seu caminho. Foi subindo pela encosta da montanha. Quando chegou ao topo, não encontrou o Sol.

– Vou esperar aqui até o Sol chegar - pensou a menina e sentou na terra.

Como estava muito cansada de sua longa caminhada, seus olhos se fecharam e ela adormeceu.

O Sol já tinha avistado a menina há muito tempo. Quando chegou a noite, ele desceu até a menina e acendeu a sua lanterna.

Depois que Sol voltou para o céu, a menina acordou.

– Oh! A minha lanterna está acesa! - exclamou e, com um salto, pôs-se alegremente a caminho.

Na volta, reencontrou a criança da bola, que lhe disse ter perdido a bola, não conseguindo encontrá-la por causa do escuro. As duas crianças procuraram, então, a bola. Após encontrá-la, a criança afastou-se alegremente.

A menina da lanterna continuou o seu caminho até o vale e chegou à casa do sapateiro, que estava muito triste, na sua oficina. Quando viu a menina, disse-lhe que seu fogo tinha apagado e suas mãos estavam frias, não podendo, portanto, trabalhar mais. A menina acendeu a lanterna do sapateiro, que agradeceu, aqueceu as mãos e pôde martelar e costurar os seus sapatos.

A menina continuou lentamente a sua caminhada pela floresta e chegou ao casebre da velha. Seu quartinho estava escuro. Sua luz tinha se consumido e ela não podia mais fiar. A menina acendeu nova luz e a velha agradeceu, e logo a sua roca girou sem cessar, fiando, fiando sem cansar.

Depois de algum tempo, a menina chegou ao campo e todos os animais acordaram com o brilho de sua lanterna.

A raposinha, ofuscada, farejou para descobrir de onde vinha tanta luz. O urso bocejou, grunhiu e, tropeçando desajeitado, foi atrás da menina. O ouriço, muito curioso, aproximou-se dela e perguntou de onde vinha aquele vaga-lume gigante.

Assim a menina voltou feliz para casa...

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