EROS PSICOLÓGICO
Um blog criado para compartilhar informações relevantes e/ou interessantes, entre outras distrações...
terça-feira, 24 de janeiro de 2012
quinta-feira, 12 de janeiro de 2012
quinta-feira, 20 de outubro de 2011
A capacidade de estar só
Podemos pensar na capacidade de um indivíduo de estar só como um mecanismo sofisticado e dependente de uma série de fatores ambientais e de cuidados básicos iniciais.
Segundo Winnicott estar só implica em maturidade emocional e está intimamente ligado à presença da mãe ou de outra figura cuidadora na fases em que o bebê não possui um ego maduro, integrado.
Se o bebê pode contar com uma mãe ou substituta que está confiantemente presente, funcionando com um eu protetor, provedor e preocupado as necessidades dele, mais tarde passará a sentir-se amparado mesmo na ausência da mesma.
Nesse momento o bebê perceberá o ambiente como benigno e não temerá estar só no presente/futuro, pois internamente sente-se seguro, protegido.
Essa será a base para que futuramente, ele seja capaz de lidar com forças instintivas de maneira madura e possua a capacidade de estar só, em meio a devaneios e a situações não orientadas durante a vida.
Mais em:
Winnicott, D. W. O ambiente e os processos de maturação: Estudos sobre a teoria do desenvolvimento emocional. Editora Artmed, 1983.
quinta-feira, 4 de agosto de 2011
Cisne Negro
Este filme permite análise à luz de várias inter-relações entre os personagens dessa trama. É possível observar uma dinâmica edipiana tardia que se estabelece entre Nina, Lilly e Thoma onde Nina se sente constantemente ameaçada pela bailarina concorrente e o objeto desse temor é o lugar de rainha cisne.
É possível observar seu caráter narcisista e obsessivo decorrente da relação com sua imago materna, que influenciou na constituição da subjetividade primitiva de Nina.
Nina quase não se alimenta, vomita, se arranha e ensaia até a exaustão. A busca pela perfeição é algo obsessivo/compulsivo, não existe alternativa para a bailarina que esta totalmente identificada com o olhar projetivo e invejoso de sua mãe, uma mãe solitária, castradora que parece não permitir que sua filha seja outro ser humano que não o reflexo de seus desejos frustrados e reprimidos. A filha é a mãe e a mãe é a filha dentro dessa dinâmica.
“A segunda teoria da psicanálise de Freud resultava da suposta perspectiva hermenêutica da criança, cuja tendência narcisista a faz achar que todos os acontecimentos na realidade externa são causados por impulsos que vêm do seu interior, não tendo ainda a maturidade para explicar o mundo separado do self que tem um agente causador diferente”. (Little, M. ).Fiorini (1986) coloca que o sujeito obsessivo fica em uma posição de ser o desejo do outro (cobrando-se ser reconhecido e ter que corresponder a demanda alheia), encobrindo a existência de um sujeito também desejante.
Durante a trama o desejo de ser a escolhida aparece e é incentivado e provocado pelo diretor do balé Thoma. Nina é envolvida pela proposta e nasce seu interesse por Thoma, o diretor, ou pelo que o mesmo poderia proporcionar a ela, o papel principal, algo que teria que ser dela, por isso pegou alguns dos pertences pessoais de Beth, a antiga bailarina, simbolizando seu desejo de interiorizar características desta bailarina que considerava perfeita.
Segundo Fiorini (1986), a pessoa com estrutura obsessiva considera que seu problema é a falta de perfeição e não a aspiração a esta perfeição. Em muitos casos acaba esgotando-se e desiludindo-se, ficando sem saber para onde canalizar sua raiva impotente, podendo dirigir boa parte desta raiva a si mesma, exigindo-se de forma implacável, sem intervalos, ter que dar tudo que é capaz.
Ao conseguir o papel a protagonista começa a entrar em contato com sentimentos como inveja e competição e Nina vai deixando mais claro sua dificuldade de lidar com sua agressividade, logo com sua sexualidade também. Sua angústia aumenta ao conseguir o que buscava, precisando, muitas vezes, se auto agredir para livrar-se dela (angústia) por alguns instantes.
Thoma provoca Nina mostrando a bailarina Lilly, comenta que ela é naturalmente sedutora, que se deixa levar e seduz sem esforço não se cobrando de uma técnica impecável. Nina começa a observá-la e sente-se ameaçada pela presença da mesma, começa a sentir raiva e desejo, identifica Lilly como má, ameaçadora e ao mesmo tempo a deseja, deseja ser como ela. Começa a questionar seu conceito de perfeição.
“A organização defensiva, que no neurótico se centra no recalcamento, é baseada na clivagem e outros mecanismos associados, como a idealização primitiva, identificação projetiva, denegação, controle onipotente e desvalorização, protegem o ego dos conflitos, dissociando experiências contraditórias do self e dos outros. Em relação à clivagem, tanto do self quanto dos objetos externos em totalmente bons ou totalmente maus”. (Hegenberg, M, p.35).
A bailarina opera defesas psicóticas, se vê de negro, perversa. Ora projeta a inveja, agressividade e a sexualidade na outra bailarina (Lilly), ora começa a ter visões de si mesma a perseguindo, como um ser a espreitar e rir-se dela. Ela se machuca constantemente.
A fantasia se confunde com a realidade, ao se drogar sua sexualidade aflora e desejos reprimidos veem à tona. Nina tem relação sexual com Lilly e tem um orgasmo, ao final, Lilly se transforma nela mesma. Nina goza com sua gêmea perversa e ao final o prazer é substituído pela culpa, representada pela imagem de sua mãe castradora querendo sufocá-la.
“Clinicamente, um comportamento de automutilação e/ou gestos suicidários surge durante crises de cólera misturada com explosões súbitas de humor depressivo e depois de uma exploração mais generalizada e revelam-se como gestos destinados a estabelecer e restabelecer um controle sobre o meio ambiente, provocando no outro sentimento de culpabilidade”. (Hegenberg apud Kernberg, p. 63).Aos poucos Nina vai entrando em contato com um lado seu que, até então parecia não conhecer, o lado do Cisne Negro.
À medida que Nina vai se identificando com o seu conteúdo recalcado, com a sua sexualidade, perversão e inveja então a agressividade se volta para a mãe e ela se rebela contra a opressão, vive o seu prazer perverso até as últimas conseqüências, na busca pela perfeição. Na alucinação ela deixa de ser a inocente e se transforma em sua gêmea oposta para matar a rival imaginária, ela mata seu lado negro projetado em Lilly. Ela mata a si mesma nessa confusão entre fantasia e realidade para poder viver o cisne negro e a metamorfose se completa psiquicamente. Ela beija Thoma.
Porém, sem capacidades egóicas básicas a elaboração se faz impossível, a bailarina passa de SUPEREGO para ID, objeto bom e mau, sem filtro, sem fusão e sem elaboração. Se a perfeição era ser perversa, ela conquistou a perfeição. Simbólicamente ela teria conseguido matar a imago castradora e invejosa representada pela mãe.
“A única secundarização possível nestes pacientes e que constitui um amálgama entre violência e libido situa-se num eventual masoquismo moral... Uma via muito ameaçadora de ataque a si próprio, no fim do qual vemos sempre despontar o risco suicidário, seja qual for sua forma aparente”. (Hegenberg apud Bergeret, p.57)
Autores:
Enrique Moura
Natália Martins da Silva
Tífanny Zelante Alonso Krejici
USP-2011
BIBLIOGRAFIA
FIORINI, H.J. Estruturas e abordagens em psicoterapia. Tradução Reinaldo Guarany. Rio de Janeiro: Francisco Alves, 1986.
Hegenberg, M. Borderline: Coleção Clínica Psicanalítica. Editora Casa do Psicólogo, São Paulo, 2000.
Little, M.I. Ansiedades Psicóticas e Prevenção: registro pessoal de uma análise com Winnicott. Editora Imago, Rio de Janeiro, 1992.
terça-feira, 24 de agosto de 2010
sexta-feira, 20 de agosto de 2010
Salvem as mulheres!!
O desrespeito à natureza tem afetado a sobrevivência de vários seres e entre os mais ameaçados está a fêmea da espécie humana.
Tenho apenas um exemplar em casa, que mantenho com muito zelo e dedicação, mas na verdade acredito que é ela quem me mantém. Portanto, por uma questão de auto-sobrevivência, lanço a campanha 'Salvem as Mulheres!'
Tomem aqui os meus poucos conhecimentos em fisiologia da feminilidade a fim de que preservemos os raros e preciosos exemplares que ainda restam:
Habitat
Mulher não pode ser mantida em cativeiro. Se for engaiolada, fugirá ou morrerá por dentro. Não há corrente que as prenda e as que se submetem à jaula perdem o seu DNA. Você jamais terá a posse de uma mulher, o que vai prendê-la a você é uma linha frágil que precisa ser reforçada diariamente.
Alimentação correta
Ninguém vive de vento. Mulher vive de carinho. Dê-lhe em abundância. É coisa de homem, sim, e se ela não receber de você vai pegar de outro. Beijos matinais e um 'eu te amo’ no café da manhã as mantém viçosas e perfumadas durante todo o dia. Um abraço diário é como a água para as samambaias. Não a deixe desidratar. Pelo menos uma vez por mês é necessário, senão obrigatório, servir um prato especial.
Flores
Também fazem parte de seu cardápio – mulher que não recebe flores murcha rapidamente e adquire traços masculinos como rispidez e brutalidade.
Respeite a natureza
Você não suporta TPM? Case-se com um homem. Mulheres menstruam, choram por nada, gostam de falar do próprio dia, discutir a relação? Se quiser viver com uma mulher, prepare-se para isso.
Não tolha a sua vaidade
É da mulher hidratar as mechas, pintar as unhas, passar batom, gastar o dia inteiro no salão de beleza, colecionar brincos, comprar muitos sapatos, ficar horas escolhendo roupas no shopping. Entenda tudo isso e apoie.
Cérebro feminino não é um mito
Por insegurança, a maioria dos homens prefere não acreditar na existência do cérebro feminino. Por isso, procuram aquelas que fingem não possuí-lo (e algumas realmente o aposentaram!). Então, aguente mais essa: mulher sem cérebro não é mulher, mas um mero objeto de decoração. Se você se cansou de colecionar bibelôs, tente se relacionar com uma mulher. Algumas vão lhe mostrar que têm mais massa cinzenta do que você. Não fuja dessas, aprenda com elas e cresça. E não se preocupe, ao contrário do que ocorre com os homens, a inteligência não funciona como repelente para as mulheres.
Não faça sombra sobre ela
Se você quiser ser um grande homem tenha uma mulher ao seu lado, nunca atrás. Assim, quando ela brilhar, você vai pegar um bronzeado. Porém, se ela estiver atrás, você vai levar um pé-na-bunda.
Aceite: mulheres também têm luz própria e não dependem de nós para brilhar. O homem sábio alimenta os potenciais da parceira e os utiliza para motivar os próprios. Ele sabe que, preservando e cultivando a mulher, ele estará salvando a si mesmo.
É, meu amigo, se você acha que mulher é caro demais, vire gay.
Só tem mulher... quem pode!
Luiz Fernando Veríssimo
terça-feira, 13 de julho de 2010
ASSÉDIO MORAL ENTRE CASAIS
Acabo de ler o livro chamado “Assédio Moral: a violência perversa no cotidiano”, da psiquiatra, psicanalista e vitimóloga francesa Marie-France Hirigoyen. Nele a escritora analisa e descreve o comportamento do agressor, a vítima e seus possíveis enredos e contextos. Abaixo algumas considerações sobre o tema abordado.
Assédio moral é um tipo de violência psicológica perversa realizada por meio de palavras consideradas inofensivas, alusões, sugestões ou não-ditos para desequilibrar uma pessoa e destruí-la psiquicamente. Tais indivíduos só podem existir “diminuindo” alguém: eles têm necessidade de rebaixar os outros para adquirir uma boa auto-estima, poder, admiração e aprovação. Os agressores não possuem compaixão nem empatia pelos outros e são incapazes de reconhecer o sofrimento alheio.
Geralmente fazemos pouco das vítimas, que passam por fracas ou pouco espertas, e sob o pretexto da liberdade do outro, podemos ficar cegos diante de situações graves. Quando as vítimas querem ajuda, é comum serem mal interpretadas, os analistas tendem a buscar motivos masoquistas e a vítima pode vir a ser considerada cúmplice nesse enredo. Essa hesitação em nomear o agressor e o agredido reforça a culpa na vítima.
Veja, agora, algumas frases que são ditas no casamento e que, se repetidas com freqüência, denunciam o desejo de dominar, humilhar, denegrir, intimidar. São expressões que ilustram casos reais contados pelas pacientes de Marie-France. É o começo da violência sutil, que aumenta progressivamente... até que a vítima acaba sem saber o que é normal ou não, o que dizer, o que pensar. São mensagens de sedução no início, seguidas de ameaças veladas ou de clara hostilidade e fria indiferença.
"Eu digo isso porque te amo."
"Não adianta eu te explicar, você não vai entender mesmo."
"Seu comportamento não me surpreende."
"Com a família que você tem..."
"Você acha que sou um imbecil?"
"Você não vai conseguir."
"Prefiro que você não faça isso sozinha."
Expondo em frente dos amigos: “Ela nem compreende isso! Embora seja algo que qualquer um seja capaz de compreender!”
segunda-feira, 21 de junho de 2010
quinta-feira, 17 de junho de 2010
A Menina da Lanterna
(Erika Kressler, recontado por Suse Konig)
Era uma vez uma menina que carregava alegremente a sua lanterna pelas ruas. De repente chegou o vento, que com grande ímpeto apagou a lanterna.
– Ah! - exclamou a menina - Quem poderá reacender a minha lanterna?
Olhou para todos os lados, mas não achou ninguém.
Apareceu, então, um animal muito estranho, com espinhos nas costas, de olhos vivos, que corria e se escondia muito ligeiro pelas pedras. Era um ouriço.
– Querido ouriço! - exclamou a menina - O vento apagou a minha luz. Será que você não sabe quem poderia acender minha lanterna?
E o ouriço disse a ela que não sabia, que perguntasse a outro, pois precisava ir para casa cuidar dos filhos.A menina continuou caminhando e encontrou-se com o urso, que caminhava lentamente. Ele tinha uma cabeça enorme e um corpo pesado e desajeitado, e grunhia e resmungava.
– Querido urso! - falou a menina - O vento apagou a minha luz. Será que você sabe quem poderia acender a minha lanterna?
E o urso da floresta disse a ela que não sabia, que perguntasse a outro, pois estava com sono e ia dormir e repousar.
Surgiu, então, uma raposa, que estava caçando na floresta e se esgueirava entre o capim. Espantada, a raposa levantou o seu focinho e, farejando, descobriu a ela e mandou que voltasse para casa, porque a menina espantava os ratinhos.
Com tristeza, a menina percebeu que ninguém queria ajudá-la. Sentou-se sobre a pedra e chorou.
Neste momento surgiram estrelas que lhe disseram para ir perguntar ao Sol, pois ele poderia ajudá-la. Depois de ouvir o conselho das estrelas, a menina criou coragem para continuar o seu caminho. Finalmente, chegou a uma casinha, dentro da qual avistou uma mulher muito velha, sentada, fiando em sua roca. A menina abriu a porta e cumprimentou a velha.
– Bom dia, querida vovó - disse ela.
– Bom dia - respondeu a velha.
A menina perguntou se ela conhecia o caminho até o Sol e se ela queria ir com ela, mas a velha disse que não podia acompanhá-la, porque ela fiava sem cessar a sua roca, não podia parar . Mas pediu à menina que descansasse um pouco, pois o caminho era muito longo. A menina entrou na casinha e sentou-se para descansar. Pouco depois, pegou a lanterna e continuou a sua caminhada.
Mais para frente encontrou outra casinha no seu caminho, a casa do sapateiro. Ele estava consertando muitos sapatos. A menina abriu a porta e cumprimentou-o. Perguntou, então, se ele conhecia o caminho do Sol e se queria ir com ela procurá-lo. Ele disse que não podia acompanhá-la, pois tinha muitos sapatos para consertar. Deixou que ela descansasse um pouco, pois sabia que seu caminho era longo. A menina entrou e sentou-se para descansar. Depois que descansou, pegou a sua lanterna e continuou a caminhada.
Bem longe, avistou uma montanha muito alta. Com certeza, o Sol mora lá em cima - pensou a menina e pôs-se a correr, rápida como uma corsa. No meio do caminho, encontrou uma criança que brincava com uma bola. Chamou-a para que fosse com ela até o Sol, mas a criança nem respondeu. Preferiu brincar com sua bola e afastou-se saltitando pelos campos. Então, a menina da lanterna continuou sozinha o seu caminho. Foi subindo pela encosta da montanha. Quando chegou ao topo, não encontrou o Sol.
– Vou esperar aqui até o Sol chegar - pensou a menina e sentou na terra.
Como estava muito cansada de sua longa caminhada, seus olhos se fecharam e ela adormeceu.
O Sol já tinha avistado a menina há muito tempo. Quando chegou a noite, ele desceu até a menina e acendeu a sua lanterna.
Depois que Sol voltou para o céu, a menina acordou.
– Oh! A minha lanterna está acesa! - exclamou e, com um salto, pôs-se alegremente a caminho.
Na volta, reencontrou a criança da bola, que lhe disse ter perdido a bola, não conseguindo encontrá-la por causa do escuro. As duas crianças procuraram, então, a bola. Após encontrá-la, a criança afastou-se alegremente.
A menina da lanterna continuou o seu caminho até o vale e chegou à casa do sapateiro, que estava muito triste, na sua oficina. Quando viu a menina, disse-lhe que seu fogo tinha apagado e suas mãos estavam frias, não podendo, portanto, trabalhar mais. A menina acendeu a lanterna do sapateiro, que agradeceu, aqueceu as mãos e pôde martelar e costurar os seus sapatos.
A menina continuou lentamente a sua caminhada pela floresta e chegou ao casebre da velha. Seu quartinho estava escuro. Sua luz tinha se consumido e ela não podia mais fiar. A menina acendeu nova luz e a velha agradeceu, e logo a sua roca girou sem cessar, fiando, fiando sem cansar.
Depois de algum tempo, a menina chegou ao campo e todos os animais acordaram com o brilho de sua lanterna.
A raposinha, ofuscada, farejou para descobrir de onde vinha tanta luz. O urso bocejou, grunhiu e, tropeçando desajeitado, foi atrás da menina. O ouriço, muito curioso, aproximou-se dela e perguntou de onde vinha aquele vaga-lume gigante.
Assim a menina voltou feliz para casa...
Era uma vez uma menina que carregava alegremente a sua lanterna pelas ruas. De repente chegou o vento, que com grande ímpeto apagou a lanterna.
– Ah! - exclamou a menina - Quem poderá reacender a minha lanterna?
Olhou para todos os lados, mas não achou ninguém.
Apareceu, então, um animal muito estranho, com espinhos nas costas, de olhos vivos, que corria e se escondia muito ligeiro pelas pedras. Era um ouriço.
– Querido ouriço! - exclamou a menina - O vento apagou a minha luz. Será que você não sabe quem poderia acender minha lanterna?
E o ouriço disse a ela que não sabia, que perguntasse a outro, pois precisava ir para casa cuidar dos filhos.A menina continuou caminhando e encontrou-se com o urso, que caminhava lentamente. Ele tinha uma cabeça enorme e um corpo pesado e desajeitado, e grunhia e resmungava.
– Querido urso! - falou a menina - O vento apagou a minha luz. Será que você sabe quem poderia acender a minha lanterna?
E o urso da floresta disse a ela que não sabia, que perguntasse a outro, pois estava com sono e ia dormir e repousar.
Surgiu, então, uma raposa, que estava caçando na floresta e se esgueirava entre o capim. Espantada, a raposa levantou o seu focinho e, farejando, descobriu a ela e mandou que voltasse para casa, porque a menina espantava os ratinhos.
Com tristeza, a menina percebeu que ninguém queria ajudá-la. Sentou-se sobre a pedra e chorou.
Neste momento surgiram estrelas que lhe disseram para ir perguntar ao Sol, pois ele poderia ajudá-la. Depois de ouvir o conselho das estrelas, a menina criou coragem para continuar o seu caminho. Finalmente, chegou a uma casinha, dentro da qual avistou uma mulher muito velha, sentada, fiando em sua roca. A menina abriu a porta e cumprimentou a velha.
– Bom dia, querida vovó - disse ela.
– Bom dia - respondeu a velha.
A menina perguntou se ela conhecia o caminho até o Sol e se ela queria ir com ela, mas a velha disse que não podia acompanhá-la, porque ela fiava sem cessar a sua roca, não podia parar . Mas pediu à menina que descansasse um pouco, pois o caminho era muito longo. A menina entrou na casinha e sentou-se para descansar. Pouco depois, pegou a lanterna e continuou a sua caminhada.
Mais para frente encontrou outra casinha no seu caminho, a casa do sapateiro. Ele estava consertando muitos sapatos. A menina abriu a porta e cumprimentou-o. Perguntou, então, se ele conhecia o caminho do Sol e se queria ir com ela procurá-lo. Ele disse que não podia acompanhá-la, pois tinha muitos sapatos para consertar. Deixou que ela descansasse um pouco, pois sabia que seu caminho era longo. A menina entrou e sentou-se para descansar. Depois que descansou, pegou a sua lanterna e continuou a caminhada.
Bem longe, avistou uma montanha muito alta. Com certeza, o Sol mora lá em cima - pensou a menina e pôs-se a correr, rápida como uma corsa. No meio do caminho, encontrou uma criança que brincava com uma bola. Chamou-a para que fosse com ela até o Sol, mas a criança nem respondeu. Preferiu brincar com sua bola e afastou-se saltitando pelos campos. Então, a menina da lanterna continuou sozinha o seu caminho. Foi subindo pela encosta da montanha. Quando chegou ao topo, não encontrou o Sol.
– Vou esperar aqui até o Sol chegar - pensou a menina e sentou na terra.
Como estava muito cansada de sua longa caminhada, seus olhos se fecharam e ela adormeceu.
O Sol já tinha avistado a menina há muito tempo. Quando chegou a noite, ele desceu até a menina e acendeu a sua lanterna.
Depois que Sol voltou para o céu, a menina acordou.
– Oh! A minha lanterna está acesa! - exclamou e, com um salto, pôs-se alegremente a caminho.
Na volta, reencontrou a criança da bola, que lhe disse ter perdido a bola, não conseguindo encontrá-la por causa do escuro. As duas crianças procuraram, então, a bola. Após encontrá-la, a criança afastou-se alegremente.
A menina da lanterna continuou o seu caminho até o vale e chegou à casa do sapateiro, que estava muito triste, na sua oficina. Quando viu a menina, disse-lhe que seu fogo tinha apagado e suas mãos estavam frias, não podendo, portanto, trabalhar mais. A menina acendeu a lanterna do sapateiro, que agradeceu, aqueceu as mãos e pôde martelar e costurar os seus sapatos.
A menina continuou lentamente a sua caminhada pela floresta e chegou ao casebre da velha. Seu quartinho estava escuro. Sua luz tinha se consumido e ela não podia mais fiar. A menina acendeu nova luz e a velha agradeceu, e logo a sua roca girou sem cessar, fiando, fiando sem cansar.
Depois de algum tempo, a menina chegou ao campo e todos os animais acordaram com o brilho de sua lanterna.
A raposinha, ofuscada, farejou para descobrir de onde vinha tanta luz. O urso bocejou, grunhiu e, tropeçando desajeitado, foi atrás da menina. O ouriço, muito curioso, aproximou-se dela e perguntou de onde vinha aquele vaga-lume gigante.
Assim a menina voltou feliz para casa...
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